Estou sentada à sombra de uma árvore frondosa, de olhos fechados, sentindo a brisa morna no meu rosto, movimentando levemente meus cílios e cabelo. A brisa não é refrescante como eu esperava, mesmo aqui dentro do bosque, e sinto o ar denso, pesado, ao respirar. O zumbido preguiçoso dos insetos, que usam todos os cantos e frestas para se esconder do calor, se mistura ao farfalhar suave das folhas e me deixa sonolenta.
O jogo de luz e sombra pinta o solo e a casca das árvores com formas fugazes que aparecem e desaparecem dançando ao ritmo da brisa. Há poucos pássaros cantando, será que estão tão prostrados com o calor quanto eu? Sinto meu rosto e meus braços úmidos, a pele transpirando mesmo longe do contato direto com a luz do sol.
Eu mexo meus dedos do pé, sentindo as folhas secas se quebrarem sob eles. As folhas espetam a sola dos meus pés e me trazem memórias nostálgicas da minha infância. Eu fecho os olhos e me deixo levar por essas memórias, embalada pelo zumbido dos insetos e pelo canto dos pássaros e pela brisa morna nas minhas bochechas. Então eu sorrio ao me ver menina correndo descalça entre as árvores, sentindo o vento no meu rosto e as folhas secas sob meus pés.
Faz calor, mas já não me incomodo mais.
Registros de Arvoredo do Pardal é um blog pessoal que utilizo para praticar a escrita. Por isso, não tenho compromisso com frequência, qualidade ou tema dos textos publicados. Se quiser saber mais, clique aqui. 🙂


